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  In Camera — Janeiro 2008

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  Centrado no filme
Dog Eat Dog

O diretor de fotografia Juan Carlos Gil calcula a luz sobre os atores (E-D) Hansel Camacho e Oscar Borda no set de Dog Eat Dog (Cachorro Comendo Cachorro). Foto de Luis Hernández e Gerylee Polanco

Quando Juan Carlos Gil era estudante na Universidad del Valle, em Cali, Colômbia, ele e seus colegas de curso Carlos Moreno e Diego Jiménez se comprometeram mutuamente que algum dia se juntariam para fazerem seu primeiro filme em sua cidade natal. Gil reuniu mais de 500 comerciais de televisão durante os últimos 18 anos. Ao longo deste tempo, a promessa esteve viva em sua mente. Dog Eat Dog (Cachorro Comendo Cachorro) é este filme.

O roteiro é baseado na história escrita por outro amigo, Alonso Torres. O criminoso chefe, El Orejón, amaldiçoa o assassino de seu afilhado. O assassino revela-se ser um de seus empregados chamado Eusébio. Depois de chantagear com dinheiro algumas pessoas, Victor, o protagonista, se apossa de uma quantidade de dinheiro que pertence ao Orejón. O cenário é apropriado para uma vingança.

“Senti que era importante que a câmera nos conduzia sempre para o interior dos personagens”, menciona Gil. “A culpa e a angustia emocional de Víctor tinha que ser revelada gradualmente e sutilmente. Também queríamos usar texturas e contrastes para retratar o calor e o suor de uma cidade que se abrigava em sua própria violência”.

Estilo tipo documentário

Gil disse que ele e Moreno, que dirigiu, visualizaram imagens com uma crueza tipo documentário. “Esta foi a razão pela qual escolhemos o formato de filme Super 16mm”, explica. “Sentimos que nos iria fornecer uma forte granulação e uma forte textura. Evitamos um planejamento extenso e trabalhamos espontaneamente com muito pouco equipamento. Nossa montagem mais complicada usou oito lâmpadas e muitas cenas usaram a luz disponível”.

Gil empregou os filmes KODAK VISION2 100T 7212 e 200T 7217 para os interiores e as cenas noturnas. Ele escolheu reproduzir em filme KODAK VISION2 500T 7218 duas cenas em exteriores noturnas, sem iluminação.

A câmera ARRI SR3 praticamente foi usada de forma manual. O ângulo do obturador freqüentemente variava de 90 ou 45 graus o que estilizou ainda mais as imagens. “Era importante para nós que a câmera respirasse junto com os atores”, disse Gil. “Diego (Jiménez), nosso operador, também é o operador da Steadicam, e pode manter completamente o ritmo, a cadência e o sentimento da câmera manual”.

O calor da cidade

Grande parte do filme terminada possui um forte tom quente para comunicar o calor da cidade, enquanto que os tons mais frios ressaltaram algumas cenas noturnas e o escritório do El Orejón. Gil explicou que, na maior parte, a textura e o look do filme foram definidos na câmera, mas ele fez alguns ajustes detalhados da temperatura da cor e da saturação durante a pós-produção.

A transferência inicial da melhor luz foi feita na Cineworks, Miami, Florida. O timing de cores foi feito na EFE-X, Colômbia, com o colorista Leonardo Otero. Gil viajou para Los Angeles para supervisionar o processo final do filme na EFILM e da geração do positivo nos Deluxe Labs.

Gil está agradecido a sua equipe de câmera e iluminação que já estão com ele há oito anos. “É crucial manter um equilíbrio entre o artístico e o técnico”, afirma. “Antes do filme, me concentrei em solucionar todos os aspectos técnicos. Durante a filmagem, me preocupei com a continuidade, a veracidade do enquadramento e em cumprir meus objetivos estéticos. Com certeza, não posso delegar a colocação das luzes e sua exposição precisa. Mas, tenho a confiança para delegar outras tarefas a meus colaboradores, o que me dá mais tempo para pensar sobre o look e como cada enquadramento ajuda a contar a história do diretor”.

Este ano Come Perro Come foi o primeiro filme a ser selecionado oficialmente no Festival de Cine de Sundance onde ganhou uma indicação para o Prêmio do Grande Júri, a categoria Cine Mundial. O filme também ganhou o prêmio de Melhor Cinematografia no Festival de Cinema de Gramado 2008 no Brasil.

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