7. Conservação em Arquivo
Distribuição, rendimento e lucro
Vamos tomar por exemplo dois programas de televisão
americanos do passado, "I Love Lucy" e "All
In The Family". "I Love Lucy" foi e será
uma série de televisão muito popular, que continua
sendo exibido naqueles canais à cabo sedentos por conteúdo.
Ela foi captada em película a um longo tempo atrás,
mas sua imagem está perfeita.
"All in the Family" foi captada em vídeo,
e deu muita dor de cabeça para certificarem que as
imagens permaneciam em boas condições. Tal preocupação
se deve ao fato das partículas magnéticas do
videotape acabarem se orientando com o tempo para os pólos
Norte e Sul, gerando ruídos e estática. Por
isso a necessidade de se regravar periodicamente as imagens
captadas digitalmente, para manter sua integridade. "All
in the Family" foi preservado em bom estado, no entanto
o que será de seu futuro com a televisão de
alta definição? Afinal a conversão do
vídeo digital para outros formatos e padrões
é bastante complicada. E como você preencherá
a falta de informações não captadas durante
a gravação.
Portanto, se você tivesse de decidir entre filme e
vídeo para captar a série 'All in the Family"
- pensando nas oportunidades futuras - qual seria sua escolha?
É o tipo de questão que você deve considerar
no projeto que está trabalhando.
Arquivando seu trabalho
O filme propriamente dito é o único meio de
arquivo conhecido. Se conservado corretamente, seja preto
e branco ou colorido, o filme pode durar por cem anos ou mais.
E quem sabe onde estará a tecnologia daqui a cem anos?
Com o vídeo digital, você terá suas
imagens gravadas em uma fita magnética. E embora o
meio magnético esteja muito melhor do que era a 20
ou 30 anos atrás, sua vida útil gira em torno
de 7 a 10 anos apenas. A partir de então ela começa
a perder pistas de sincronização, lhe obrigando
a transferir as imagens. E transferir as imagens é
algo com que você deve se preocupar.
Quando Johnny Carson saiu do "The Tonight Show",
ele voltou para buscar algumas de suas primeiras imagens armazenadas
em fitas quad de duas polegadas. Os "binders" magnéticos
dos videotapes se decomporam. Havia também muitoas
dificuldades para encontrar alguém que os pudesse reproduzir.
Quando ele finalmente encontrou um reprodutor, descobriu que
os pulsos de sincronização haviam desparecido
e ele ficou impossibilitado de recuperar tais gravações
de vídeo. Aqueles programas havia se perdido para sempre.
Existem muitas imagens que foram gravadas em fita, imagens
e histórias que integram uma parcela significativa
de nosso patrimônio cultural e histórico. O risco
porém é de que todos estes registros também
venham a desaparecer. Portanto se estão armazenadas
em suportes magnéticos, alguém deve se preocupar
em como conservar estas imagens e transferi-las aos novos
formatos, já que isto será imprescindível
para garantir a compatibilidade com os equipamentos futuros.
Arquivando o equipamento
Filme e equipamento de filmagem estão aqui hoje, estarão
aqui amanhã, assim como estavam aqui ontem. Há
cem anos por trás disso tudo, e perdurará por
um longo tempo no futuro. Você ainda pode utilizar câmaras
e projetores feitos à 50 anos atrás para filmar
e projetar ambos filmes 35mm e 16mm - justamente como eram.
Daqui a 50 anos, você ainda poderá encontrar
projetores 35mm e 16mm e utilizá-los normalmente.
Reciprocamente, existiram ao redor de 75 formatos de vídeo
desde o original quad de duas polegadas ( E ainda estão
aparecendo novos formatos ). Em algum momento futuro pode
haver problemas para encontrar o equipamento no qual reproduzirsuas
imagens. E a quem você recorrerá para recondicionar
um cabeçote quad de duas polegadas, supondo que tenha
um pedaço de fita que ainda possa ser lido? Você
não apenas tem de arquivar o suporte, mas também
o respectivo equipamento para que tenha condições
de reproduzi-lo no futuro.
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