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Conversa sobre o Sistema de Cinema Digital da Kodak

Glenn KennelA divisão de Imagens para Entretenimento da Kodak está testando e demonstrando o primeiro protótipo de um sistema de Cinema Digital da Kodak. Consiste de sistema operador de cinema, tecnologia patenteada para tratamento de cores e protótipo de projetor de cinema digital de 2K. A empresa também está desenvolvendo um sistema de proteção antipirataria. Além disso, estão testando os melhores componentes de sua categoria fornecidos por outras empresas, incluindo os novos microchips D-ILA da JVC de 2048x1536 (2K) pixels e uma plataforma da SUN Microsystems para armazenamento conectado em rede. O protótipo do sistema está sendo testado e demonstrado no Centro de Tecnologia da Imagem da Kodak (ITC) em Los Angeles. O ITC é uma extensão dos Laboratórios de Pesquisa da Kodak. A seguir incluímos trechos de uma entrevista com o Diretor do Programa de Cinema Digital, Glenn Kennel:

Por que a Kodak está entrando no mercado de cinema digital?

KENNEL: É lógico. Estamos no negócio de cinema desde 1889, quando Thomas Edison pediu a George Eastman que fabricasse filme de cinema para sua câmara e projetor experimentais. Temos estado presentes em praticamente todos os desenvolvimentos tecnológicos significativos desde aquela época, incluindo som, cores, som digital, efeitos digitais e a masterização digital do filme. Temos mantido uma posição de liderança em nível mundial devido a termos sempre estado dispostos a pesquisar a próxima geração de tecnologia e produtos para cinema. É vantajoso para nós - e para nossos clientes - garantir que a projeção digital não degrade a qualidade da imagem.

O que há de diferente no sistema de Cinema Digital da Kodak?

KENNEL: Temos um protótipo de projetor de cinema digital de alta performance, mas este é apenas um dos elementos fundamentais. Estamos desenvolvendo um sistema de cinema digital total, que inclui solução de informática sob medida para a operação do cinema que gerencia carregamento, programação e reprodução de filmes, trailers e conteúdos do programa em múltiplas telas digitais. Também estamos utilizando um software da Kodak para tratamento da cor concebida para assegurar a integridade do filme desde a masterização digital do filme até a apresentação. No entanto, trata-se de um protótipo. Estamos testando e aperfeiçoando nossa própria tecnologia juntamente com as melhores tecnologias desta classe fornecidas por outras empresas, incluindo a JVC e a SUN Microsystems.

Qual o papel da SUN MIcrosystems?

KENNEL: A SUN está fornecendo a plataforma de armazenamento ligada em rede que faz funcionar nosso sistema operacional de cinema. Conseguimos alavancar componentes que a SUN está desenvolvendo para o mercado de servidores de vídeo para a Internet.

Qual o papel do Centro de Tecnologia da Imagem da Kodak?

KENNEL: Nós o consideramos um posto avançado dos Laboratórios de Pesquisa da Kodak, cravado no coração da indústria do entretenimento, de onde podemos testar e demonstrar novas tecnologias para os clientes para integrar suas reações em nosso pensamento no início das etapas de desenvolvimento. Nossas primeiras iniciativas principais incluem teste e demonstração de nossa tecnologia de cinema digital e masterização digital do filme.

O que acontece com a codificação? Como vocês desencorajam a pirataria?

KENNEL: As medidas de segurança e antipirataria são absolutamente essenciais. Estamos desenvolvendo o que parece ser uma tecnologia de marca d'água muito eficaz, e também temos uma tecnologia que desencorajará a gravação em fita de imagens das telas. Também estamos explorando outras opções. Estas precisam ser simples e eficazes.

O que é o sistema de Tratamento de Cores Kodak?

KENNEL: O sistema de Tratamento de Cores Kodak é uma tecnologia que estamos desenvolvendo com base na enorme reserva de conhecimento e experiência com filmes e uma compreensão da forma como essas imagens são afetadas quando convertidas em arquivos digitais. Nosso objetivo é reproduzir com fidelidade as intenções artísticas dos cineastas. Os matizes de cor e as tonalidades comunicam informações exatamente da mesma forma que as palavras ditas pelos atores. Basicamente, desejamos que as imagens digitais apareçam na tela da mesma forma que nosso filme positivo Kodak Vision quando projetado em condições ideais.

Vimos algumas demonstrações realistas de outros projetores digitais de cinema.

KENNEL: É verdade, mas francamente muito tempo é gasto para fazer o ajuste fino das imagens e ajustando cuidadosamente a cor para obter o aspecto de uma cópia em filme. O sistema de Tratamento de Cores Kodak foi projetado para tornar esse processo de ajuste de cores mais fácil e mais rápido.

O que você quer dizer com, "não é simplesmente um projetor"?

KENNEL: Não se trata apenas de projetar e fabricar um projetor. Em primeiro lugar, é preciso de uma forma de passar as imagens filmadas para o formato digital. Nossa subsidiária Cinesite, uma empresa de pós-produção sediada em Los Angeles e Londres, tem oferecido serviços de masterização digital de filme e nós estamos desenvolvendo e testando ferramentas aprimoradas para o tratamento de cores aqui no ITC. A masterização digital oferece aos diretores de fotografia, que estão ajustando as cores das imagens em uma tela de uma sala de telecine, uma enorme flexibilidade para criação de aparências. Disporemos de alguns controles de ajuste que simplificarão o processo, porém o mais importante é que as imagens que vejam projetadas na sala de telecine sejam o que o público verá nos cinemas, nas projeções em filme ou digitais. Não é um desafio simples. Ainda não resolvemos todos os problemas, mas temos um começo magnífico.

Há muita discussão sobre que resolução é bastante boa para a projeção em salas de cinema. Vocês têm uma norma para isso?

KENNEL: Achamos que é preciso projetar com uma resolução de pelo menos 2K para criar imagens com aparência natural que não fiquem bloqueadas ou mostrem bordas dentadas. Com o filme, já começamos com um negativo que consegue captar pelo menos uma resolução de 4K. Essa resolução é reduzida de alguma forma durante os processos de duplicação e projeção analógicos. Contudo, há outros fatores essenciais que incluem a preservação do contraste, gama de cores e tonalidade captada no negativo original. É importante preservar os detalhes sutis. Pode ser um ligeiro rubor na bochecha de alguém quando outro personagem entra em cena que dá ao público uma importante dica visual de que se trata de um elemento chave na história. Do nosso ponto de vista, esta é uma das maiores limitações imposta pela nova geração de câmeras de alta definição. A resolução é de aproximadamente 1,5K e a faixa dinâmica não chega nem perto da do filme. Estamos decididos a preservar essas qualidades cinematográficas do filme, tanto em projeção de filme como em projeção digital.

Como o protótipo de projetor de cinema Digital Kodak se compara com outros projetores que vimos demonstrados?

KENNEL: Temos capacidade de colocar mais pixels (resolução) na tela, se for isso que você está perguntando. A referência atual do cinema digital é o chip DLP que possui 1280x1024 pixels. Quer dizer, aproximadamente 1,2 milhões de pixels. A nova geração de chips D-ILA da JVC de 2K que estamos utilizando em nosso protótipo de projetor tem uma resolução na tela de 2048x1536, que é de aproximadamente três milhões de pixels. Quando combinamos essa vantagem em resolução com nossa tecnologia de tratamento de cor, você começa a conseguir um aspecto mais cinematográfico.

Em que o microchip D-ILA é diferente?

KENNEL: Sem entrar em muitos detalhes técnicos, trata-se de uma tecnologia fundamentalmente diferente da dos chips DLP. Ambos os chips são moduladores refletivos ou dispositivos refletivos. O chip DLP consiste de um conjunto de espelhos que basicamente balançam constantemente de trás para frente. O chip JVC é um dispositivo plano que efetivamente modifica sua reflexão pixel a pixel. Isso é importante uma vez que acreditamos que é muito mais fácil fabricar e operar sob tensão por longos períodos de tempo.

E a tecnologia de compressão?

KENNEL: Estamos testando várias tecnologias de compressão diferentes. O fundamental é que devem ser absolutamente transparentes. Também estamos colaborando com grupos de trabalho do SMPTE que estão desenvolvendo padrões mundiais.

Quais são os outros requisitos para que a projeção digital seja igual ao filme?

KENNEL: Também é preciso igualar a luminosidade do filme. Isso significa 10.000 lumens para uma tela de 15 metros de largura. Atualmente estamos projetando um sistema de iluminação de alto rendimento que se adaptará ao projetor de nova geração.

Quanto custará o sistema e quando estará disponível?

KENNEL: Evidentemente, não é possível colocar uma etiqueta de preço em um produto que está em desenvolvimento, mas a maioria dos analistas financeiros da indústria acredita que o cinema digital começará a ser atraente quando seu custo estiver em torno de US$75.000. No tocante a quando, isso não acontecerá da noite para o dia. O projetor e o equipamento de armazenamento que estão disponíveis atualmente custam muito mais do que isso. Creio que começaremos a entregar projetores dentro de um ou dois anos, apesar de poder haver locais de teste antes disso.

E os ópticos?

KENNEL: Neste momento estamos projetando ópticos de projeção de alta performance.

Isso é o começo do fim do filme?

KENNEL: Absolutamente não. Acreditamos que há vantagens importantes hoje em dia para se produzir em filme no tocante à qualidade de imagem, latitude criativa e conservação em arquivo, e há um espaço importante para futuros progressos. Também há surpreendentes novidades em tecnologias híbridas, tais como converter o filme em formato digital para efeitos visuais e masterização. Continuaremos a progredir nesse terreno. Quanto à projeção, creio que haverá progressos futuros na tecnologia óptica e digital e ambas coexistirão durante algum tempo no futuro próximo.